Durante exatos 15 minutos, cinco seres humanos, que mais pareciam bestas demoníacas protegidas pela couraça da carruagem de lata que roubaram, exterminaram uma criança de apenas seis anos. O nome dele, João Hélio Fernandes Vieites, filho de Rosa Cristina Fernandes Vieites. Após percorrerem 14 ruas, pelas quais arrastaram o menino preso ao cinto de segurança pelo lado de fora, as bestas humanas fugiram, sem ao menos olharem para trás. Ao abandonarem o veículo, deixaram ao chão o corpinho "dilacerado" do menino Hélio. Foi assim mesmo que o jornal Folha Online publicou hoje: dilacerado.
Esse crime causou indignação por parte da nação e trouxe á tona várias perguntas, que vão se calando com o dia-a-dia apressado de todos nós. As minhas, em particular, são: Quanto vale uma vida no Brasil? Ou, quanto tempo leva para dar fim a uma vida humana no país? Ah, a melhor: Qual o método mais agressivo, violento, cruel, bestial e insano para se acabar com a vida de alguém no país? As respostas... infelizmente... ainda não tenho.
Em épocas como a que vivemos hoje, de grande violência praticada nas ruas - por maiores e pelos chamados menores infratores - nos morros das favelas, dentro das nossas casas, das nossas vidas e onde são utilizados armamentos de grande porte, o crime praticado contra o garoto João Hélio, no qual arma alguma foi utilizada, trás à tona também antigos questionamentos: Como fica a situação dos menores infratores no Brasil? O que fazer ou como fazer para punir severamente os crimes que são praticados por menores infratores? Como tratar de forma diferenciada um rapaz que tem 17 anos, quase 18, e por não ser maior de idade, não pode ser condenado a "apodrecer" na cadeia por ter dilacerado um garotinho?
Para a Câmara dos Deputados e o Senado, a redução da maioridade penal é uma discussão qu já deveria ter virado projeto e estar em votação. Mas acusados de estarmos ainda sob o efeito de forte comoção, a Ministra do Supremo Tribunal Federal, Ellen Gracie, criticou, ontem, no Uol News, a posição do Congresso e disse que as mudanças na legislação não deveriam ser discutidas sob o clima de forte emoção.
O que vai realmente acontecer com esses ditos menores infratores não sei e penso que a maioria dos 180 milhões de brasileiros também ainda não saibam. Mas posso dizer que o que realmente gostaríamos, e agora falo por toda essa nação que, como a própria Ministra disse, age sempre por emoção, é que nossos representantes, nossos governantes eleitos descessem de seus pedestais até aqui em baixo onde vivemos toda essa violência e sentissem na pele, de verdade, como é ver seu filho morto, dilacerado e caído ao chão. Aí, com certeza, fariam alguma coisa.

